the heart wants what it wants

sabe o que é mais estranho? é que eu lembro de estar em uma situação muito parecida com esta quando estava com outra pessoa. talvez fosse até pior da primeira vez, existiam mais riscos, existia um querer.

(all of this all of this thousand miles)

porém eu permaneci calma, nada me abalou. eu cheguei a abrir a boca mais de uma vez para dizer que, se caso ela resolvesse voltar o namoro, eu ficaria de boa. afinal, ela teria sido sincera e pronto. eu seguiria em frente.

agora eu to nessa situação de novo e a angústia me consome. me consome saber que eu não quero te impedir de fazer nada, mas ao mesmo tempo eu quero que tu encontre com ela e pense em mim. que sim, eu acho que vocês mereçam esse encontro, que isso é teu de ser amiga das tuas ex (afinal, por que não?), mas eu queria que fosse isso, ser amiga da tua ex e pronto.

eu não planejei te querer assim. eu não queria dizer que te queria pra mim, mas talvez seja isso que eu queira?

como tu sempre diz: o que é meu é meu, o que é seu é nosso.

pra mim, que quero ser só minha, se tornou: eu que sou minha sou só minha, você que é sua é nossa.

the heart wants what it wants

the chain

eu sou uma escrota.

eu não consigo me sentir presa. mais uma vez, eu me coloquei dentro de uma prisão, a qual eu não posso sair até cumprir minha pena.

não é justo com ela, mas também não é justo comigo. eu quero que fiquei tudo bem, mas tudo que eu consigo pensar é em quem são elas pra pensar que podem me colocar nessa caixa e me dizer o que fazer?

e eu com certeza eu sou uma escrota por causa disso.

eu vou enfrentar minha pena e só deus sabe o que vai acontecer comigo depois disso.

the chain

desorganizada

Os piores dias são aqueles em que eu não sei o que desejo quando atravesso uma rua. É tão clara a certeza que, um dia, algum daqueles carros vai passar por cima de mim. Me jogar, me esfregar, me arrebentar inteira. E eu não sinto medo. Por que vou sentir medo de algo que é inevitável?

Pra mim, é inevitável que isso vai, algum dia, acontecer. Seria o meu destino ser atropelada por um carro? Talvez, talvez eu seja só mais uma pessoa idiota mesmo. E eu odeio isso.

Eu odeio o sentimento, a certeza, mas o que eu odeio mais é a lentidão do tempo enquanto eu atravesso mais uma rua, olho para o lado e vejo os meus vários possíveis carrascos. Lá no fundo eu escuto uma voz “o seu carrasco é você mesma!” e eu não faço nada. Pra não dizer que eu não faço nada, meus pés se mexem e, mais uma vez, eu consigo chegar intacta do outro lado de mais uma rua.

Emma. Alice. Eu não sou nenhuma das duas, mas eu também talvez seja. Um dia eu talvez chegue perto demais de não acreditar que minha vida é um filme de ficção escrito por alguém. Nesse dia, eu posso acreditar que quem escreve a porra toda sou eu mesma, mas acho que nunca vou aceitar que não, minha vida não é um filme e que tudo não vai ficar bem no final.

Na verdade, eu só tenho dúvidas se o carro que me atropela é culpa do motorista ou minha que me jogo em frente, largando tudo. Eu prefiro acreditar que não faria isso, mas o que é se jogar na frente de um carro pra alguém que quase pulou de uma janela querendo fugir de uma discussão?

Eu nem gosto das histórias quando tudo fica bem no final.

desorganizada