você está sozinha, eu sou conveniente.

Ela estacionou seu carro na fachada da garagem de sua casa e saiu, parou em frente ao carro e ficou olhando para a outra menina que ainda estava sentada no banco do carona, olhando para suas mãos sem dar nenhum sinal de se mexer.

Mimi fechou os olhos, balançou a cabeça negativamente e suspirou. A viagem no carro foi completamente silenciosa e exaustiva. Elas tinham combinado (ou Mimi teria comunicado?) de continuar a conversa (ou seria briga?) que tinham tido no caminho quando chegassem em casa, mas agora Jill não se mexia. A morena, passados alguns segundos, virou em seu lugar e seguiu em direção a casa marrom vizinha a sua.

Ao chegar em frente à porta vermelha, não demorou para ela sentir um braço passando ao seu lado, no qual viu logo um raio preto. Ela se virou e avistou os olhos azuis escuros olhando para os seus tentando dizer mil coisas que não conseguiam ser colocadas em palavras.

Jill abriu a porta e esperou a namorada entrar, para então segui-la. As duas caminharam em silêncio, Mimi sempre à frente. A morena chegou no quarto de Jill, empurrou a porta com as pontas dos dedos e caminhou devagar em direção a cama. Ao se aproximar, passou a mão esquerda pela colcha na parte final da cama. Ela olhou para trás, onde Jill fechava a porta cuidadosamente, e, depois, sentou de costas para a namorada.

Mimi queria que Jill falasse algo, ela queria que a namorada pedisse desculpa, que dissesse saber que seus ciúmes eram irracionais e suas inseguranças eram tolas. Na verdade, ela ficaria feliz se Jill falasse qualquer coisa. Por mais que Mimi insistisse, Jill nunca deixava claro quais eram seus sentimentos reais. Eles saíam em meio a comentários ofensivos disfarçados de discussões passivo-agressivas. Quando o assunto era Tori, as únicas palavras proferidas por ela eram aquelas durante brigas.

A loira ainda estava parada encostada na porta do quarto. Enquanto Mimi esperava que ela falasse algo, ela pensava no que poderia fazer para aquietar seus pensamentos. Ciúmes. Era só nisso que ela conseguia pensar, ela não conseguia organizar nenhum sentimento na sua cabeça e ela sabia que se tentasse colocar para fora ela e Mimi voltariam a brigar. Ela não queria brigar, ela não queria machucar Mimi, mas ela sentia raiva. Ela não sabia se sentia raiva dela mesma ou de Tori, o que ela sabia é que a raiva não era de Mimi e, mesmo assim, tudo que ela queria no momento era direcionar o que ela estava sentindo para a namorada. Como ela ia conseguir explicar que não queria machucá-la, que não estava com raiva, mas queria descontar tudo que estava sentindo nela?

Foi aí que ela decidiu, mais uma vez, que não iria conversar. Ela, enfim, saiu do lugar onde estava parada e caminhou decidida em direção a outra garota. Mimi, ao perceber que Jill agora estava parada na sua frente, levantou os olhos e a olhou confusa.

– Jill… – a menina começou a falar, mas foi logo interrompida com o susto que levou ao ser empurrada para trás na cama.

Mimi arregalou os olhos com o movimento inesperado, mas antes que ela conseguisse pensar em algo para falar, Jill subiu a cama e montou em cima dela. Mimi começou a abrir a boca, mas a loira a puxou pela gola da camisa e a beijou.

Jill beijava Mimi com urgência, como se ela parasse para respirar a menina fosse sumir. A beijava como se precisasse dela e, naquele momento, era exatamente assim que ela se sentia. Ela precisa sentir que Mimi estava lá com ela, que todas as dúvidas dela eram absurdas, que Mimi era dela e que não era a presença de Tori na vida delas que ia mudar isso.

Rapidamente, a cama se tornou uma confusão de braços e pernas e roupas atiradas para todos os lados. Mimi não sabia o porquê de estar fazendo aquilo, porque estava aceitando mais uma vez sua tentativa de conversar com Jill acabar em sexo. Ela sentia que devia parar, ela sentia que no final ela só se sentiria pior, mas ela não conseguia.

Em uma última tentativa de mudar o rumo do que estava acontecendo, ela olhou nos olhos azuis escuros na sua frente e percebeu que não tinha chance alguma. Ela estava completamente apaixonada por Jill e, ao ver aqueles olhos, ela sabia que já tinha perdido aquela batalha. Ela faria o que a outra menina queria porque era assim que as coisas funcionavam. E como ela a amava, ela faria de tudo para que elas pudessem se sentir bem nem que fosse por alguns minutos.

Elas se beijariam, transariam, conversariam sobre coisas que não fazia o menor sentido e ficaria tudo bem.

Exceto que, dessa vez, nada aconteceu como as duas previram. O momento acabou tão rápido quanto começou e Mimi se viu nua na cama de Jill se sentindo indefesa, descoberta e vulnerável. E Jill? Ela não sentia nada. Isso até perceber que, ao seu lado, Mimi havia começado a chorar.

– Amor?… – Jill tentou colocar sua mão direita por cima para abraçá-la, mas isso pareceu piorar as coisas, o que a fez puxar sua mão como se tivesse tocado em uma superfície quente.

– Não, Jill. – Mimi respondeu em meio às lagrimas, levantando-se da cama.

– Para onde você vai?

– Para casa.

Mimi pegou desajeitadamente suas roupas, querendo o mais rápido possível sair daquele quarto. Sair de perto de Jill. Como isso foi acontecer? Era o que ela pensava e não conseguia aceitar como algo tão bom havia se tornado isso.

Jill a olhava assustada, espantada com o que ela tinha feito. Como eu consegui fazer isso? Era o que ela pensava. Sem saber o que fazer, ela apenas disse:

– Mimi, eu… me desculpa, eu te amo. – seu tom de voz era receoso e fraco.

Mimi não a olhou, em vez disso terminou de se arrumar rapidamente. Quando terminou, dirigiu-se a porta do quarto e, ao colocar a mão na maçaneta, virou para, enfim, responder:

– Sinceramente, eu não sei mais, Jill. – seu rosto estava completamente molhado das lágrimas que ainda teimavam em cair. – Sinceramente, acho que você se sente sozinha e eu sou conveniente.

Dizendo isso, ela saiu como uma sombra de dentro do quarto.

Esse foi um novo começo e o começo de um fim.

 

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você está sozinha, eu sou conveniente.