once upon a time

Eu vagava por esta cidade em que eu havia sido destinada a passar a continuação da minha existência. Se eu merecia, eu não sabia. Eu só sabia que eu tinha raiva. Não sabia nem de quem eu sentia raiva exatamente, eu sei que não era justo, não devia ser justo ser condenada a passar os meus próximos 100 anos presa nesse mundo determinada a salvar almas perdidas na tentativa de levá-las para o céu.

Isso é porque eu sou um anjo. Isso mesmo, um anjo. Nós não somos como vocês pensam, então podem esquecer várias conclusões que vocês tiveram quando leram isso. Meu nome é Sori, mas eu não posso dizer para vocês se eu sou homem ou mulher. Isso lhes foi ensinado correto, nós anjos não temos sexo.

Nós, normalmente, não ficamos na Terra. Os anjos que são mandados para ficar por aqui são aqueles que fizeram alguma coisa errada ou aqueles que não estão fazendo seu trabalho direito. Eu não estava fazendo meu trabalho direito, então talvez eu merecesse mesmo isso. Cem anos, durante os próximos cem anos eu teria que frequentar esse lugarzinho desagradável que nenhum de nós fazia muita questão de visitar.

Atualmente, eu era uma mulher de 20 anos morando em uma cidade capital de um país não muito importante, mas importante o suficiente. Como eu não exatamente podia envelhecer e construir uma vida em nenhum lugar, eu me mudava constantemente. Essa era a quinta cidade em que eu fazia meu trabalho e, por mais estranho que parecesse, eu havia encontrado um lugar onde me sentia confortável na medida do possível. Eu passei muito tempo sendo um anjo antissocial, mas hoje eu tinha amigos. Eu não sei dizer porque nunca tive uma, mas acho que esses amigos eram o mais próximo do que já cheguei de ter uma família.

Eu gostava de ser Sori, a mulher morena de 1,64m com olhos e cabelos castanhos. Eu podia escolher qualquer forma física que eu desejasse, mas essa vinha sendo minha preferida. Quando eu completei 15 anos do meu castigo centenário eu me mudei pela última vez e me aloquei nessa cidadezinha e, pela primeira vez, resolvi que não iria mais ser um menino como havia passado todos os primeiros anos. Resolvi também que eu teria 15 anos, a mesma idade em que já havia passado na Terra.

Agora, aos 20 anos, eu não era mais uma menina, eu era uma mulher. O pior de tudo é que um dos castigos impostos era a remoção de várias das minhas memórias da minha vida real. Ficava difícil fazer meu trabalho direito já que eu mal lembrava o que era ser um anjo. O lado positivo é que eu ainda tinha minhas asas e eram elas que me possibilitavam ter meus “poderes”.

Apesar de ser um anjo, minha vida não era muito diferente de uma pessoa normal. Sábado à noite e eu estava fazendo o que qualquer jovem faria: esperando o show de uma das minhas bandas favoritas começar. Isso e procurando a próxima alma que eu teria que salvar. Enquanto eu escaneava o ambiente a procura, foi aí que eu a vi de novo.

O nome dela era Lavernie e eu sabia pouquíssimas coisas sobre ela, mas a principal era que ela era assustadoramente linda. Eu podia ter certeza que seus cabelos e seus olhos mudavam de cor todas as vezes que eu a via. Eu não a tinha visto muitas vezes, mas nas poucas em que vi eu mudei de ideia várias vezes. Hoje, seus cabelos estavam castanhos, mas eu podia jurar que eles eram ruivos da última vez. Hoje, seus olhos eram verdes, mas naquela foto eu tinha certeza que eu vi um tom de azul nunca visto antes.

Ela se aproximou junto com outros amigos meus e tudo, em um instante, pareceu um borrão de cenas translúcidas em um quadro em que alguém acabou de derramar vários tons de vermelho e laranja.

Nós já nos conhecíamos, mas, até esse dia, não parecia real. Enquanto todos conversavam sobre assuntos que eu não conseguia fazer ideia sobre o que eram, nossos olhares se cruzaram três vezes. Eu senti que estava ficando louca porque eu tive toda convicção que, na segunda vez, seus olhos eram mais negros que os meus.

A noite era para ter sido apenas mais uma noite como todas as outras, eu só não sabia como minha vida mudaria quando eu decidi que, não importasse a cor que fossem aqueles olhos, eu os queria para mim de qualquer forma.

once upon a time

você está sozinha, eu sou conveniente.

Ela estacionou seu carro na fachada da garagem de sua casa e saiu, parou em frente ao carro e ficou olhando para a outra menina que ainda estava sentada no banco do carona, olhando para suas mãos sem dar nenhum sinal de se mexer.

Mimi fechou os olhos, balançou a cabeça negativamente e suspirou. A viagem no carro foi completamente silenciosa e exaustiva. Elas tinham combinado (ou Mimi teria comunicado?) de continuar a conversa (ou seria briga?) que tinham tido no caminho quando chegassem em casa, mas agora Jill não se mexia. A morena, passados alguns segundos, virou em seu lugar e seguiu em direção a casa marrom vizinha a sua.

Ao chegar em frente à porta vermelha, não demorou para ela sentir um braço passando ao seu lado, no qual viu logo um raio preto. Ela se virou e avistou os olhos azuis escuros olhando para os seus tentando dizer mil coisas que não conseguiam ser colocadas em palavras.

Jill abriu a porta e esperou a namorada entrar, para então segui-la. As duas caminharam em silêncio, Mimi sempre à frente. A morena chegou no quarto de Jill, empurrou a porta com as pontas dos dedos e caminhou devagar em direção a cama. Ao se aproximar, passou a mão esquerda pela colcha na parte final da cama. Ela olhou para trás, onde Jill fechava a porta cuidadosamente, e, depois, sentou de costas para a namorada.

Mimi queria que Jill falasse algo, ela queria que a namorada pedisse desculpa, que dissesse saber que seus ciúmes eram irracionais e suas inseguranças eram tolas. Na verdade, ela ficaria feliz se Jill falasse qualquer coisa. Por mais que Mimi insistisse, Jill nunca deixava claro quais eram seus sentimentos reais. Eles saíam em meio a comentários ofensivos disfarçados de discussões passivo-agressivas. Quando o assunto era Tori, as únicas palavras proferidas por ela eram aquelas durante brigas.

A loira ainda estava parada encostada na porta do quarto. Enquanto Mimi esperava que ela falasse algo, ela pensava no que poderia fazer para aquietar seus pensamentos. Ciúmes. Era só nisso que ela conseguia pensar, ela não conseguia organizar nenhum sentimento na sua cabeça e ela sabia que se tentasse colocar para fora ela e Mimi voltariam a brigar. Ela não queria brigar, ela não queria machucar Mimi, mas ela sentia raiva. Ela não sabia se sentia raiva dela mesma ou de Tori, o que ela sabia é que a raiva não era de Mimi e, mesmo assim, tudo que ela queria no momento era direcionar o que ela estava sentindo para a namorada. Como ela ia conseguir explicar que não queria machucá-la, que não estava com raiva, mas queria descontar tudo que estava sentindo nela?

Foi aí que ela decidiu, mais uma vez, que não iria conversar. Ela, enfim, saiu do lugar onde estava parada e caminhou decidida em direção a outra garota. Mimi, ao perceber que Jill agora estava parada na sua frente, levantou os olhos e a olhou confusa.

– Jill… – a menina começou a falar, mas foi logo interrompida com o susto que levou ao ser empurrada para trás na cama.

Mimi arregalou os olhos com o movimento inesperado, mas antes que ela conseguisse pensar em algo para falar, Jill subiu a cama e montou em cima dela. Mimi começou a abrir a boca, mas a loira a puxou pela gola da camisa e a beijou.

Jill beijava Mimi com urgência, como se ela parasse para respirar a menina fosse sumir. A beijava como se precisasse dela e, naquele momento, era exatamente assim que ela se sentia. Ela precisa sentir que Mimi estava lá com ela, que todas as dúvidas dela eram absurdas, que Mimi era dela e que não era a presença de Tori na vida delas que ia mudar isso.

Rapidamente, a cama se tornou uma confusão de braços e pernas e roupas atiradas para todos os lados. Mimi não sabia o porquê de estar fazendo aquilo, porque estava aceitando mais uma vez sua tentativa de conversar com Jill acabar em sexo. Ela sentia que devia parar, ela sentia que no final ela só se sentiria pior, mas ela não conseguia.

Em uma última tentativa de mudar o rumo do que estava acontecendo, ela olhou nos olhos azuis escuros na sua frente e percebeu que não tinha chance alguma. Ela estava completamente apaixonada por Jill e, ao ver aqueles olhos, ela sabia que já tinha perdido aquela batalha. Ela faria o que a outra menina queria porque era assim que as coisas funcionavam. E como ela a amava, ela faria de tudo para que elas pudessem se sentir bem nem que fosse por alguns minutos.

Elas se beijariam, transariam, conversariam sobre coisas que não fazia o menor sentido e ficaria tudo bem.

Exceto que, dessa vez, nada aconteceu como as duas previram. O momento acabou tão rápido quanto começou e Mimi se viu nua na cama de Jill se sentindo indefesa, descoberta e vulnerável. E Jill? Ela não sentia nada. Isso até perceber que, ao seu lado, Mimi havia começado a chorar.

– Amor?… – Jill tentou colocar sua mão direita por cima para abraçá-la, mas isso pareceu piorar as coisas, o que a fez puxar sua mão como se tivesse tocado em uma superfície quente.

– Não, Jill. – Mimi respondeu em meio às lagrimas, levantando-se da cama.

– Para onde você vai?

– Para casa.

Mimi pegou desajeitadamente suas roupas, querendo o mais rápido possível sair daquele quarto. Sair de perto de Jill. Como isso foi acontecer? Era o que ela pensava e não conseguia aceitar como algo tão bom havia se tornado isso.

Jill a olhava assustada, espantada com o que ela tinha feito. Como eu consegui fazer isso? Era o que ela pensava. Sem saber o que fazer, ela apenas disse:

– Mimi, eu… me desculpa, eu te amo. – seu tom de voz era receoso e fraco.

Mimi não a olhou, em vez disso terminou de se arrumar rapidamente. Quando terminou, dirigiu-se a porta do quarto e, ao colocar a mão na maçaneta, virou para, enfim, responder:

– Sinceramente, eu não sei mais, Jill. – seu rosto estava completamente molhado das lágrimas que ainda teimavam em cair. – Sinceramente, acho que você se sente sozinha e eu sou conveniente.

Dizendo isso, ela saiu como uma sombra de dentro do quarto.

Esse foi um novo começo e o começo de um fim.

 

você está sozinha, eu sou conveniente.

memo

eu perdi as contas de quantas vezes tive que explicar o que eu sentia. eu perdi as contas de quantas vezes eu tive que escutar que eu não era clara. uma das coisas que mais me dá medo é não ser entendida e, por mais que eu sentisse que estivesse gritando a plenos pulmões, parecia que eu estava berrando para o nada. muitas coisas podiam dar errado e eu só escolhi aceitar que, se desse mesmo errado, eu não poderia prever o futuro de ninguém.

eu não sei o que me incomoda mais, eu só sei o que me incomoda agora. o espaço que ocupou/ocupava na minha mente era inegável, mas o que eu tentei deixar todo esse tempo de lado era minha incapacidade de vocalizar e colocar para fora qualquer coisa relacionada a ela. era como se eu tivesse vivido tudo dentro da minha cabeça, um delírio da minha imaginação e é assustador acreditar que eu cheguei a esse ponto.

até escrever sobre ela é complicado. as frases não parecem querer ser completad

eu estava satisfeita com respostas e o sentimento no escuro.

eu não queria nada disso, eu não quero nada disso. e nada mudou.

será que é realmente tão diferente das personagens que eu criei?

memo

afogados

sabe aquelas lembranças que a gente tem de uma época que nos faz acreditar que seria possível lembrar de algo naquela idade? eu acho que todo mundo tem algumas dessas, aquelas memórias que existem, mas sempre nos questionaremos o quanto daquilo é real e o quanto daquilo é imaginação. das várias visões do passado eu tenho uma que nunca me deixou completamente, mas, ultimamente, ela voltou a pairar sobre mim nos momentos tristes.

hoje não é um dia triste mais do que qualquer outro, mas, pela primeira vez em um bom tempo, essa memória voltou a ocupar minha cabeça. ao ler um texto de uma artista que mora em minha cidade sobre seu encontro com um menino na sua infância que a marca até hoje da mesma forma que a minha lembrança me marca, eu voltei a pensar no meu encontro que eu insisto pensar que é inventado só para toda vez lembrar que é real.

eles morreram afogados. eu não lembro quantos anos eu tinha, eu não lembro onde eu morava. aos nove anos, eu já tinha morado em quatro cidades, nenhuma delas a que eu moro agora. durante toda minha infância, eu estive rodeada de água. piscinas, mares, rios, lagoas. a água estava lá e eu sempre me senti atraída pela água. era um dos meus maiores orgulhos dizer que aprendi a nadar quase ao mesmo tempo que aprendi a andar. não fazia o mínimo sentido se orgulhar de uma tarefa dessa. minha mãe era professora de natação e, desde antes de completar um ano de vida, ela me levava para as aulas dela. eu ficava a beira da piscina e gritava a plenos pulmões “EU VOU PULAR”. quem estava perto achava bonitinho uma criança (um bebê?) tão pequena se aventurando na piscina, ao que comentavam “own, ela sabe já sabe nadar.”. nessa hora minha mãe aparecia desesperada dizendo que não, eu não sabia nadar, e alguém me pegava. foi aí que ela começou a me ensinar, ou, no caso, essa é a história que ela conta.

diante de tanta água na minha vida, eu nunca soube dizer qual era o lugar em que se passava minha lembrança. eu lembro de uma piscina muito azul com um toboágua sem cor no centro e muitos guarda-sóis laranjas, tantos que, quem sentasse nos últimos, teria dificuldade de ver a piscina. o chão era uma pedra amarelo que, pensando agora, me parece escorregadia. quem coloca uma pedra escorregadia em uma piscina? era um clube, mas por muito tempo eu não saberia dizer que clube.

é tudo muito rápido. eu visualizo o clube, o azul, o laranja, o amarelo. depois disso, eu vejo ela. eu nunca soube o nome dela. na minha lembrança, ela usa um maiô azul-marinho-quase-preto; seus cabelos são castanhos-quase-preto, muito lisos, acima dos ombros num corte curto com uma franja reta. ela era mais velha, mais velha que eu na época, ou isso é que eu penso porque na minha visão ela se encontra lá e é mais alta que eu, mas eu não consigo encaixar ela em lugar físico nenhum. eu nunca soube o nome dela, mas ela tem cara daqueles nomes que tem muitos nas salas de aula, sabe? aqueles que terminam em “ana” principalmente. podia ser juliana ou mariana. ela tinha cara de mariana.

primeiro é o clube, depois é a imagem da “mariana” e, por fim, é a multidão carregando o corpo sem vida dela que, em uma piscina lotada de gente, morreu afogada sem ninguém perceber.

eu não conhecia ela, eu não conhecia sua família. eu não lembro de ninguém chorando, eu não lembro de mais nada. eu só lembro dessas três coisas e de como eu me senti. de como eu não entendia como ela tinha morrido se a piscina estava cheia de gente e, se eu que era tão menor sabia, como ela não sabia nadar? para ser sincera, até hoje eu não entendo.

durante toda minha vida, essa lembrança nunca saiu de mim. todas as vezes que voltava, eu ia e perguntava para minha mãe se ela tinha acontecido mesmo. acho que parte de mim queria acreditar que não era real, que era fruto da minha imaginação que já tantas vezes inventou tantas coisas. todas as vezes, a resposta da minha mãe foi a mesma. aconteceu, eu era muito pequena, mas a gente tinha visto, sim, “mariana” morta afogada.

da última vez que essa memória chegou em mim, eu estava desesperada. por motivos nada relacionados com águas, piscinas ou marés, mas apenas tristeza, eu pensei nela. na menina que morreu afogada ao redor de toda aquela gente. eu, que já estava completamente triste, me desesperei ao pensar como era possível uma vida de uma criança acabar sem motivo nenhum enquanto um monte de gente estava lá, mas não observava. da mesma forma como a vida de muitas pessoas está se acabando no meio do mar de outras vidas e todos estão lá, mas ninguém nota. da mesma maneira que eu sentia que estava me afogando e ninguém parecia notar.

dessa última vez, como todas as outras, eu fui e perguntei novamente para minha mãe se essa lembrança era real. as respostas foram as mesmas, mas dessa vez eu continuei e perguntei se ela lembrava em que cidade nós morávamos quando isso aconteceu. minha surpresa foi grande quando ela disse que não lembrava a cidade que nós morávamos na época, mas minha lembrança tinha acontecido aqui, na cidade onde moro, em alguma de nossas férias. ela disse o nome do lugar exato onde isso aconteceu.

na mesma hora eu quis ir lá. eu nunca fui, nem antes, nem depois de saber essa informação. não ia fazer diferença conhecer o lugar onde mariana se afogou. descobrir se o visual da minha lembrança é real ou não não muda o fato de há entre 20 ou 15 anos atrás ninguém dentro daquela piscina ter notado o desespero que aconteceu debaixo daquelas águas. no momento que eu quis ir lá talvez eu achasse isso me salvaria de alguma forma, mas não faria diferença.

eu, por sorte e por minha mãe, aprendi a nadar cedo. queria que mariana tivesse aprendido também.

afogados

eu não queria passar mais uma vez pelo processo de não ter raiva de ti. a única coisa que essa raiva causa sou eu me sentir mal. então qual o sentido?

mesmo assim, eu odeio que tu não tenha feito nada pra deixar as coisas mais fáceis pra mim. quer dizer, você fez tudo que podia pra deixar as coisas bem mais difíceis pra mim. e isso é uma droga tão grande. não foi justo comigo. não é justo comigo.

é muito fácil pra ti vir me pedir desculpas e se reaproximar de mim quando tu, enfim, encontrou alguém. e eu? como eu fico?

é muito fácil continuar conversando comigo porque eu faço tu se sentir bem, porque eu te amo e porque tu me quer por perto, mas isso não pode ficar acontecendo, né? tu diz que tá confusa e que não quer me machucar, mas olha o que tu tá fazendo garota, isso já é me machucar. então e eu? como eu fico?

é muito fácil dizer que quer me ver quando eu voltar e repetir que tá confusa, que eu vou chegar e vai ser estranho saber que eu voltei, mas o que importa como eu vou me sentir. e eu? como eu fico?

é muito fácil pedir pra conversar depois que eu consigo ficar bem, pra depois meu coração ficar em pedaços na tua frente, tu repetir pela milésima vez que tá confusa, mas sabe o que? que mentira! tu nunca esteve confusa hora nenhuma, tu só queria me ter nas tuas mãos. me ter acessível onde tu quisesse. e eu? sabe como eu fiquei? aos pedaços.

eu estou aos pedaços. e eu to lutando pra me reconstruir, mas estar perto de ti me quebra todas as vezes. espero que alguma hora, as mil mentiras que tu tenha contado se tornem verdades dentro de ti pra que tu possa, enfim, ficar longe. ficar longe.